Como identificar uma fruta venenosa?


Muitas plantas produzem substâncias como metabólitos secundários com o intuito de se protegerem da herbivoria. Alcalóides, terpenos, glicosídeos, compostos fenólicos e outras substâncias que causam reações adversas nos animais que as ingerem, como amargor, irritação, inchaço, náuseas, vômitos, tonturas e até a morte.

Em uma situação de sobrevivência onde há poucos recursos disponíveis para a alimentação, a vida humana depende da capacidade de extrair e utilizar esses recursos do ambiente ao redor. E um recurso difícil de ignorar quando se está perdido e faminto é um belo cacho de frutas silvestres.

Nesses casos saber quais frutas são seguras para o consumo e quais delas podem te matar é um conhecimento bem útil. Por isso, quando encontrar uma fruta no meio do mato sempre esteja atento(a) a alguns detalhes.

1 - Evite frutos verdes, amarelos e brancos


Na maioria dos casos, essas três cores indicam bagas venenosas. Quando estão em estado imaturo, muitas frutas desenvolvem substâncias como alcalóides e compostos fenólicos que são de difícil digestão, além de causarem irritação e mal-estar quando são ingeridos ou entram em contato com as mucosas. Já os frutos maduros são mais nutritivos e em geral mais seguros.


Embora um campista experiente possa nomear ou encontrar algumas exceções, a melhor regra é evitar tudo o que for branco, amarelo ou verde, a menos que você tenha certeza de que é seguro.

2 - Teste o fruto primeiro


Um bom jeito de descobrir se um fruto é seguro para o consumo é cortar um pedaço dele e esfregar esse pedaço na pele - de preferência em uma região onde a pele é mais sensível como na parte interna do pulso ou cotovelo. Após esfregar deixe agir por uns 15 minutos, se a pele demonstrar sinais de irritação, ardência ou outra reação adversa considere o fruto como impróprio para o consumo.

3 - Evite os frutos A.C.L


Evite frutos A.C.L (amargo, cabeludo, leitoso). O gosto amargo pode ser indicativo de substâncias impalatáveis e potencialmente tóxicas, o que serve de sinal para muitos animais, que passam a evitar frutos com essa característica. Convém evitar também frutos que sejam peludos ou que secretam látex, uma vez que o látex pode conter metabólitos secundários como terpenos e alcalóides que podem causar sérias intoxicações.

4 - Veja se os animais comem


Como foi citado no tópico anterior, alguns padrões e características em frutos silvestres são sinais de alerta para alguns animais que os evitam. Cores aposemáticas, gosto amargoso, látex tóxico, compostos irritantes e certos odores são estratégias adotadas pelas plantas que fazem muitos animais evitarem consumí-las ou os seus frutos.

Alguns animais se adaptaram para consumir esse tipo de fruto, e algumas plantas fazem uso desses animais como dispersores de sementes exclusivos, numa relação de simbiose. Esse é o caso dos pássaros e das pimenteiras.

Relação pássaro-pimenteira

Os pássaros são imunes aos efeitos da capsaicina - substância que confere às pimentas o seu sabor picante. Os mamíferos herbívoros evitam consumir os frutos da pimenteira por conta da capsaicina, isso permite que os pássaros tenham acesso exclusivo aos seus frutos e sementes, em troca as pimenteiras usam as aves como transporte para dispersar suas sementes por longas distâncias.


5 - Preste atenção nos detalhes da planta


Algumas plantas venenosas têm aparência, cheiro e sabor que indicam que são comestíveis, mas outras plantas fornecem sinais de que não devem ser comidas por humanos. Fique longe de plantas com as seguintes características: 

• Seiva leitosa
• Perfume de amêndoa;
• Sementes, feijões ou bulbos dentro de vagens;
• Espinhos ou cabelos;
• Cabeças de grão com esporas rosa ou pretas;
• Grupos de três folhas;
• Folhas lustrosas.

Evitar plantas com essas qualidades pode fazer com que você perca uma planta realmente comestível, mas é muito melhor optar pelo caminho mais seguro.

7 - Cozinhe primeiro


Muitos frutos, raízes e brotos subterrâneos podem ser consumidos crus, como é o caso do rabanete e da cenoura. Se você achar um vegetal conhecido, tudo bem comê-lo in natura (desde que você tenha certeza). Mas, se ficar em dúvida se uma raiz ou broto é comestível, é melhor cozinhá-lo primeiro. Por exemplo: O inhame bravo e alguns brotos de samambaia são venenosos crus, mas cozidos não.

8 - Conheça bem as plantas


Esses padrões que você acabou de ler podem ser usados para ajudar a identificar se uma fruta é venenosa ou não. Mas nenhum desses padrões funciona como uma regra geral, justamente por conterem muitas exceções.

Por isso, é necessário que você tenha um conhecimento prévio de quais frutas são comestíveis; se você encontrar uma fruta desconhecida no mato na dúvida não a coma. Prefira restringir o consumo de apenas frutas conhecidas. Em uma situação de sobrevivência decida optar pelo certo ao invés do duvidoso.


Bônus: algas e gramíneas 


Algo que pode ser considerado como alternativa alimentar são as algas marinhas, visto que algumas espécies de água salgada são consumidas cruas ou cozidas (principalmente na culinária asiática) como as algas do gênero Ulva (alface do mar), Caulerpia (uva do mar), Porphyra (nori) e Laminaria (kelp) que são encontradas em relativa abundância perto da costa. Porém, evite comer algas que estão expostas na praia, dê preferência a algas frescas que estejam dentro d'água.

Já as gramíneas, apesar de terem uma constituição em sua maior parte fibrosa o que as torna inadequadas para serem digeridas pelo corpo humano, algumas variedades produzem sementes e espigas comestíveis como o arroz, a cevada, o sorgo e o painço ou ainda podem ser consumidos os brotos de algumas espécies como é o caso do bambu, mas recomenda-se que estes sejam cozidos antes.



                                        


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